10 Dezembro, 2019

Bruges, Bélgica | Arte ao sabor de waffles

By In Bélgica, Europa

Despertamos com o badalar dos sinos da Catedral de São Salvador, que durante estes dias se tornara nossa vizinha, e estava dado o mote para mais um dia de conto de fadas. Era momento de surpreender as papilas gustativas e conhecer um pouco mais a história desta cidade e do país. Começamos por visitar a Catedral, que no século X era uma simples igreja, e com a destruição provocada pelos franceses no século XVIII na Catedral de São Donaciano, fez com que esta se tornasse a principal referência religiosa na cidade, sendo objeto de ampliações até alcançar o estatuto atual. Com uma torre com 99 metros de altura, tem um grande espólio de arte sacra e um imponente órgão de tubos na nave principal. Dali, seguimos para o Museu Groeninge, que reúne uma coleção de seis séculos de arte belga, com peças que percorrem o neoclassicismo, o expressionismo flamengo e o modernismo do pós-guerra.

É sempre um mergulho no desconhecido, quando percorremos um espaço museológico sem conhecer os autores ali patentes, mas é tão gratificante perceber as suas formas de ver e sentir o mundo em cada momento da história! “Ansiosos por conhecer mais, e como existem experiências que apenas têm o seu autêntico sabor nos locais onde são típicos, não conseguimos resistir a provar mais umas deliciosas waffles, umas salgadas, outras doces, e aqui o Viajante Ilustrador aproveitou ainda para experimentar a cerveja local, a Brugse Zot (em português, o louco de Bruges!). Foi aqui que demos conta de que existem diversas receitas de waffle, mas as que se destacam são as de Bruxelas (retangular, leves e normalmente servidas com açúcar confeiteiro), e as de Liége (arredondadas, mais densas e doces). Depois de uma merecida degustação, onde a receita de Liége foi a vencedora, aguardava-nos o museu de Sint-Janshospitaal, um dos mais antigos edifícios hospitalares da Europa. Com traços que datam do século XII, este hospital medieval funcionou até 1976, reunindo agora pinturas, esculturas, mobiliário, joalharia e instrumentos que testemunharam séculos de cuidados prestados. Aqui guarda-se o relicário de Santa Ursula, de Hans Memling, porventura o maior tesouro deste espaço, valendo ainda muito a pena visitar a farmácia e o jardim de ervas medicinais. Se atualmente dispomos de tanto conhecimento, de instrumentos de alta tecnologia, e ainda sentimos que existe tanto por descobrir, é absolutamente fascinante (e aterrador!) imaginar quem outrora por este hospital cuidou e foi cuidado, recorrendo a técnicas e utensílios tão rudimentares, felizmente, durante esta visita, o Viajante X dormia.. momento raro mas muito oportuno!

Quando seguíamos para um café nas entrelinhas do Books&Brunch, atravessando mais um canal, deparamo-nos com o Hospício Meulenaere, que nada mais é do que um pequeno bairro (almshouses), constituído por humildes casas para os mais idosos e necessitados. Com construções iniciadas no século XIV, por iniciativa de pequenos grupos ou de individualidades abastadas, estes bairros apresentavam habitações reunidas, em regra, em redor de um jardim ou pátio interior, proporcionando uma arquitetura singular, com uma paz interior muito interessante. Atualmente ainda subsistem cerca de 40 complexos desta natureza, que mantêm a mesma finalidade.

Nestes dias invernais, apaixonamo-nos por Bruges, quer pela sua riqueza histórica, quer pelas suas inspiradoras lendas medievais, mas foi sobretudo a pureza medieval da sua arquitetura e o sereno romantismo dos seus canais que nos farão sempre fazer regressar! Por isso.. e por uma waffle!

 

O Viajário Ilustrado deseja a todos os seus leitores umas festas felizes!!

Deixe um comentário

error: Conteudo protegido !