24 Novembro, 2019

Bruges, Bélgica | Românticos, serão estes os novos rebeldes?

By In Bélgica, Europa

Naquela manhã apanhamos o comboio bem cedo rumo a uma cidade que já foi das mais prósperas no norte da Europa, ou não nos bastasse recordar a época das grandes navegações. Hoje continua a impressionar com a sua arquitetura medieval todos aqueles que flanam pelas suas ruas e praças. Falo de Bruges, também apelidada de ‘Veneza do Norte’, outrora centro financeiro, assim como palco da corte de Felipe II, Duque da Borgonha, e exílio dos reis ingleses Eduardo IV e Ricardo III. Marcada ora por épocas de florescimento, ora de decadência, hoje continua a ser um dos centros urbanos mais visitado da Bélgica, depois de Bruxelas. Bruges é a capital da região de Flandes Ocidental e, desde 2000, Património da Humanidade pela UNESCO. E ao olhar (ou ao coração?) de muitos, um dos lugares mais românticos da Europa. Em verdade e a propósito disto, durante a viagem de comboio, enquanto o Viajante X e o Viajante Ilustrador dormitavam, recordei uma publicação que encontrei fortuitamente nas redes sociais, a qual anunciava que os românticos seriam os novos rebeldes. Achei-a provocadora, de tão interessante que se pode tornar.

“Como se distinguem os românticos de hoje, dos de outrora? Estaremos a sentir mais? Menos? Ou simplesmente temos medo ou vergonha de ser absurdamente românticos? Estaremos a renegar a dimensão poética da nossa condição humana para parecer… menos piegas? E depois, se somos gente?!”

Chegada a Bruges, confesso que me distraí desta minha tempestade de pensamentos e ideias, mas sempre esperançosa de encontrar muitos e muitas rebeldes.

Ao visitar Bruges, é impossível evitar o local mais simbólico da cidade: o Grote Markt ou Grand Place, em francês. Uma ampla praça que abriga construções incríveis como o campanário de Belfry, que foi construído como um ponto de observação da cidade para alertar contra o fogo e outros perigos na Idade Média. Dalí, seguimos caminho visitando o Provinciaal Hof (um bonito edifício neogótico que abriga a sede do governo de West-Vlaanderen), a Igreja de Nossa Senhora (Onze Lieve Vrouw Brugge) e a Igreja do Sangue Sagrado (um dos únicos locais no mundo onde se acredita existir sangue de Cristo preservado). Sendo uma exígua cidade, todos os locais são de rápida visita e muito próximos, por isso vale muito a pena conhecê-los a todos! Este templo gótico, datado do século XIII, dispõe de uma torre com mais de 115 metros, pelo que dentro da igreja, no altar, fica uma escultura da Madonna com uma criança, de Michelangelo, que se estima que tenha sido esculpida para a catedral de Siena, mas que acabou por ser comprada por dois mercadores de Bruges em 1514.

Numa cidade de canais, um passeio de barco é sempre memorável, e este não foi exceção.

“Na primeira viagem do Viajante X, em que tudo era novidade, além do passeio de comboio, este dia também iria ser coroado com a sua estreia de barco!”

Além disso, nestes canais revisitamos a história com maior afastamento das multidões, e onde o pensamento romantizado se instala cada vez com maior naturalidade! Foi por esse motivo que um dos locais que mais me apaixonou foi o Minnewater, ou Lago do Amor, para os românticos incuráveis! Reza a história que num amor proibido entre Minna e Stromberg, a jovem ao ser obrigada a casar com um homem que não amava, optou pela fuga. Quando Stromberg a encontrou, Minna faleceu nos seus braços, e no Minnewater edificou uma barragem para secar o rio e ali enterrar a sua amada. Mas os cisnes do lago são também lendários! Conta-se que quando uma maldição recaiu sobre a cidade, a sua população foi condenada a alimentar os cisnes por toda a eternidade.

Bruges é uma cidade onde a história e o romantismo se tornam uma combinação perfeita. Onde princípio e o fim andam de mãos dadas em cada esquina, em cada ruela, em cada canal ou em cada jardim. Se tivesse uma lista de cidades imperdíveis a visitar durante a vida, Bruges devia dela constar? Sem dúvida nenhuma!

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