27 Agosto, 2019

Tibete no coração da Europa

Bruxelas, Bélgica

By In Bélgica, Europa

Finalmente chegávamos ao dia que nos fez (re)visitar Bruxelas: a inauguração da exposição “Tibete, na sombra do teto do mundo”, da autoria do nosso Viajante Ilustrador, a convite da International Campaign for Tibet, para integrar as comemorações do 30.º aniversário desta que é a maior associação de defesa dos direitos humanos no Tibete.

Posicionados no centro nevrálgico da União Europeia, sentimos que a aventura que nos levou à Ásia seria digna de rivalizar com a história do Tintin, o famoso personagem de banda desenhada de origem belga que, enquanto repórter e viajante, sempre nos envolveu em histórias político-culturais com drama, crime e mistério. Foi ainda mais curioso darmos conta da história “Tintin no Tibete”, o 20.ª livro das suas aventuras e que data de 1958, que é o único que não coloca o personagem contra um vilão, contando a busca pelo seu amigo Tchang Chong-Chen, que as autoridades acreditavam ter morrido num acidente de avião na cordilheira dos Himalaias. Convencido de que Chang sobreviveu, Tintin e o Capitão Haddock percorrem os Himalaias até ao plateau do Tibete, encontrando pelo caminho o enigmático Yeti e a espiritualidade do budismo tibetano. Esta história foi tão bem-sucedida que foi adaptada para televisão, rádio, documentário, teatro e jogos de computador e Gameboy!

“É curioso que o Viajante Ilustrador havia lido este livro enquanto criança, e volvidos 25 anos, teria a sua própria versão, apresentada na terra-natal do Tintin, desta vez numa tónica mais realista, mais humana e mais focada na defesa dos direitos humanos”.

“O dia iniciou-se pela madrugada com a revisão, pela terceira vez, dos 40 quilos de material expositivo que o Viajante Ilustrador trouxe consigo, para que nenhum pormenor falhasse”.

Depois de tudo confirmado, havia ainda tempo para uma curta visita pelo Palais Royal, pelo Parc de Bruxelles, passando pelo Parlamentarium até chegar ao Hemiciclo do Parlamento Europeu. Naquele que é o maior parlamento transnacional do planeta, onde as grandes decisões a nível europeu são atualmente tomadas por 751 deputados eleitos pelos 28 Estados-Membros que integram a União Europeia, representando mais de 512 milhões de cidadãos. A construção europeia é um processo fascinante, que não está imune de crítica, mas à qual devemos um grande nível de apoios estruturais, bem como uma maior amplitude e transversalidade de direitos fundamentais que todos damos por adquiridos, mas que infelizmente ainda não são universalmente reconhecidos. Foi nesse contexto que o Viajante Ilustrador sentiu que a apresentação da sua exposição em Bruxelas seria um forte contributo para a sensibilização de uma massa crítica muito interessada e influente, dando a conhecer o Tibete budista, o Tibete natural e humano, bem como o Tibete político, dando foco às grandes matrizes da vivência tibetana, bem como a algumas das restrições graves de direitos fundamentais, desde as liberdades de expressão individual e religiosa, de reunião ou de movimentos, a sua desculturação da sociedade, as emigrações forçadas até às preocupações extremas com as autoemulações, a mais drástica e chocante forma de protesto.

Atravessando o Parc Leopold, rapidamente chegamos à Bibliothèque Solvay, onde teria lugar a exposição. O Viajante Ilustrador cuidadosamente desfez todo o material e durante algumas horas teve o exclusivo daquele espaço grandioso de estilo eclético e de arte nova, construído em 1902, sendo todo revestido em madeira e com magníficos mosaicos e vitrais. Ali teve oportunidade de posicionar cada peça da sua história, que mais tarde seria visitada por algumas dezenas de convidados, ao som de música tibetana e com discursos de altos representantes da organização anfitriã.

“Tivemos o privilégio de termos a nosso lado o pequeno Viajante X, que terá sempre no seu quarto a história do Tintin no Tibete, e no seu coração, a história dos seus pais, que não ficaram indiferentes com a situação do povo tibetano e com a importância geoestratégica que a presença chinesa naquela região tem e terá no contexto mundial”.

Que lhe constitua sempre uma fonte de inspiração no que respeita à importância dos direitos humanos, e que está no poder de cada um de nós, através de pequenos gestos locais, contribuir para um mundo melhor..

Com o coração cheio de orgulho e com o sentimento de dever cumprido, terminado o evento, e já com o nosso Viajante X a sonhar com um Yeti fofinho acompanhado de uma banda sonora tibetana, não conseguimos terminar a nossa passagem por Bruxelas sem um percurso norturno pelos sublimes edifícios do Conselho Europeu e da Comissão Europeia, bem como pelo Parc du Cinquantenaire.

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