11 Agosto, 2019

Passeio em busca de heróis!

Bruxelas, Bélgica

By In Bélgica

Naqueles dias alugamos um apartamento em De Brouckère, uma zona de boa vizinhança, em que tudo estava a meia dúzia de passos da porta. Logo no segundo dia de estadia, aquando de uma ida matinal à padaria, o Viajante Ilustrador chegou a casa entusiasmadíssimo com um dos nossos vizinhos.

“Afinal, no coração de Bruxelas, ali tão pertinho da nossa porta, tomava lugar uma livraria especializada em viagens, cujo nome não poderia ser mais curioso: Anticyclone des Açores!”

Óbvio que, tomado o pequeno-almoço e preparado o trio para mais um dia de exploração, essa foi a nossa primeira paragem… Quem me conhece, sabe bem como me apraz este tipo de espaços, ou não ganhasse o tempo e o espaço novas dimensões, tornando possível a pretensão (mesmo que falaciosa) de numa só vida contemplar este vasto mundo.

Decoradas as linhas imaginárias que dividem o mundo, e uma momentânea tomada de continentes e mares, os Viajantes deram corda aos seus passos, até à porta de entrada no antigo centro de Bruxelas, Mont des Arts, possivelmente, um dos melhores lugares para contemplar uma vista panorâmica sobre a cidade, ocupando assim o centro da colina entre o Palácio Real e a Grand  Place. Daqui recolhemo-nos no Museu Magritte, que homenageia o expoente máximo do surrealismo belga, o pintor René Magritte, ao exibir, vaidosamente, mais de duzentas obras que denunciam o universo subversivo e sarcástico deste artista. Todavia, se ali eventuais maçãs verdes, nuvens brancas em céus azuis ou chapéus de coco poderão representar o irracional, ao olhar ávido do pequeno X, tudo parece ser despretensiosamente possível.

Mas se a visão parece predominar no contato estabelecido com este novo mundo, a audição não deve, de modo algum, ser rejeitada. A coleção do Museu dos Instrumentos Musicais, que pertence ao conjunto dos Museus Reais de Arte e da História, atesta isso mesmo. Este espaço assenta nos velhos edifícios Old England, sendo um bonito edifício de estilo Art Nouveau. O seu acervo apresenta mais de oito mil instrumentos musicais, permitindo que se descubra — e ouça — a evolução da música através dos séculos.

Já na volta de regresso, ou não ditasse o pequeno X limites claros de horários, visitamos a parte alta da cidade, Notre Dame du Sablon, uma das igrejas góticas mais bonitas da Bélgica. O interior da igreja é simples mas delicado, mais parecendo com uma catedral, mas de tamanho reduzido, sendo que, alguns dos detalhes que chama a atenção é o púlpito de madeira talhada de 1697, assim como os vitrais que alcançam os 15 metros de altura.  Dali, o percurso convidava a uma passeio pela Boulevard de Waterloo, onde se encontram as galerias de arte mais famosas, as lojas dos grandes nomes da moda mundial, mas também cafés, restaurantes e salas de cinema de referência na cidade.

Exaustos de tanto ‘chic’, volvemos à base para um descanso do pequeno X, reservamos o final do dia para conhecer o Atomium. Construído como símbolo e pavilhão principal da Exposição Universal de Bruxelas de 1958, num ideal futurista sem limites, em que a ciência resolveria todos os nossos problemas e que iria melhorar as nossas vidas, num ambiente de paz entre todas as nações. Sendo representada por 9 átomos de ferro ampliados 165 bilhões de vezes, alcançando 102 metros de altura, o pavilhão é atualmente um referencial arquitetónico e turístico, um arquivo histórico da sua construção e um centro de ciência. É, ainda, um espaço de redescoberta dos direitos humanos com o animado anfitrião belga, Spirou, um jovem aventureiro vestido de vermelho sempre preparado para marcar uma posição contra a tirania. Desde logo se vê o seu manifesto:

«You have the right to be you.

Others too.

Support human rights.»

É curioso como o tempo e o espaço nos forçam sempre a refletir quanto às nossas ambições e a medir as consequências das ações. Onde quer que vamos, os ideais são sempre revestidos da maior dignidade e grandeza, mas a realidade é que o comportamento humano nunca se rege pela mesma nobreza e com a mesma generosidade… Spirou’s da vida real, onde estão?

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